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Governança regulatória deixou de ser custo. Virou requisito para escalar.

9 pontos que CEOs precisam endereçar agora para reduzir exposição e destravar crescimento.

Por Juliana Moliner – CEO Moliner Law.

Em 2025, o Banco Central consolidou uma mudança de postura: inovação sem governança regulatória passou a gerar custo imediato — jurídico, operacional, reputacional e econômico. Não se trata de uma norma única, mas de um “novo padrão” de supervisão: o regulador deixou de olhar apenas a licença formal e passou a avaliar o ecossistema completo da operação (produto, comunicação, tecnologia, parceiros, capital e gestão de riscos).

Para 2026, a mensagem é objetiva: governança regulatória deixou de ser diferencial e virou pré-requisito para escalar, ainda no primeiro trimestre de 2026 é tempo de se atualizar e deixar sua operação aderente às novas normas do Bacen.

A agenda regulatória de 2025 pode ser sintetizada em nove frentes críticas:

  1. Marca, nomenclatura e o risco de “parecer banco”
    O BC passou a tratar comunicação e posicionamento como tema regulatório. Nome, marca, domínio, app, redes sociais e anúncios podem gerar questionamentos se induzirem o mercado a entender que a fintech é banco/IF autorizada quando não é. Governança de marca entra no core de governança regulatória (jurídico + compliance + marketing + produto).
  2. Autorização e escopo das Instituições de Pagamento
    O erro mais caro foi construir produto antes de mapear o perímetro regulatório. O BC passou a aplicar uma lógica prática: quem presta o serviço, para quem, em que etapa da jornada e quando a operação cruza o limite que exige autorização/ajuste do arranjo. Parcerias e terceirizações não “limpam” responsabilidade: o regulador olha o fluxo completo e identifica quem controla efetivamente a atividade regulada.
  3. Pix tratado como operação crítica
    Pix deixou de ser “só um meio de pagamento” e virou infraestrutura crítica. Houve reforço de exigências de segurança, regras de devolução/fraude (incluindo MED), governança de disputas e penalidades mais claras. Em 2026, espera-se comprovação de SLAs, playbooks de incidentes, antifraude robusto e produção de evidências.
  4. Tecnologia e segurança como risco regulatório
    Core, processadoras, mensageria, antifraude e infraestrutura passaram a ser avaliados como riscos supervisionáveis. O BC quer governança formal sobre provedores: monitoramento contínuo, capacidade de auditar, responder a falhas e documentar controles. Dependência tecnológica sem supervisão virou exposição regulatória.
  5. Banking as a Service e white-label sob lupa
    O modelo segue viável, mas com exigência de clareza total: quem aparece para o cliente, quem é percebido como responsável e quem responde juridicamente. Estruturas que confundem papéis concentram risco. Transparência ao cliente e governança de canais/marca são condição para sustentabilidade do BaaS.
  6. Capital mínimo e “runway regulatório”
    A apuração de capital/patrimônio foi refinada e deixou de ser apenas contabilidade. Para executivos, vira tema estratégico: crescer sem planejamento de capital e recomposição pode travar produto, expansão e M&A. O conceito-chave é runway regulatório: sustentar crescimento dentro dos limites prudenciais.
  7. Câmbio e operações internacionais
    Ajustes em regras (incluindo interbancárias) elevaram o nível de atenção. Fintechs com remessas, contas globais e cross-border precisam revisar governança, fluxos e procedimentos com integração real entre jurídico, compliance e operação.
  8. Criptoativos: decisão estratégica, não só tecnológica
    O BC avançou no desenho do regime de autorização e funcionamento de prestadores de serviços de ativos virtuais. Alguns modelos conectam cripto a câmbio e obrigações de reporte, elevando responsabilidade. Operar, não operar ou operar via parceiro passa a ser escolha estratégica com trilha regulatória definida e risco assumido conscientemente.
  9. Terceiros críticos e continuidade operacional
    Terceirização não é só contrato: o BC exige controle efetivo, continuidade, auditoria e evidências. O foco recai sobre “terceiros críticos” cuja falha paralisa a operação. Planos de continuidade, alternativas e monitoramento constante deixam de ser boa prática e viram obrigação.

Para 2026, governança regulatória e corporativa passa a ser ativo estratégico: reduz risco, viabiliza crescimento sustentável, melhora a capacidade de captação, destrava M&A e dá segurança para escalar. Em outras palavras, o BC sinalizou que velocidade sem estrutura custa caro — e a estrutura certa vira vantagem competitiva.

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